Antes de começar esse texto, gostaria de perguntar a você, querido leitor, se eu lhe oferecesse uma calça jeans lisa e sem etiqueta, por um valor de mil reais, você compraria? E se, de repente, nessa mesma calça fosse acrescentada, por exemplo, a simpática etiqueta vermelha da marca Diesel, quanto você estaria disposto a pagar por ela?
O consumo de grifes, hoje em dia, deixou de ser exclusivamente um hábito da classe A. O uso frequente da expressão "é de marca" indica uma notória influência da mídia sobre o ser humano. Num rápido passeio pelo shopping, pode-se observar quanto valor agregado há numa simples sacola de papel que carrega a logo de uma marca qualquer, trabalho poderosíssimo esse, feito por uma boa equipe de marketing. A mudança drástica no valor de um produto de marca popular para um produto de grife, ao invés de nos fazer refletir se vale a pena pagar tanto por essa aquisição, nos faz calcular em quantas vezes será possível a divisão do valor no cartão de crédito.
Um exemplo bem recente e claro de quão obcecados somos pela "aquisição da etiqueta" é a polêmica da sandália Arezzo que, na verdade, era Via Uno. Sabemos que a real diferença entre uma marca e outra, além do preço, é a etiqueta que ela carrega, Se não, qual outro aspecto transformaria uma boa sandália, em medíocre? Nossa preferência pela etiqueta pode ser claramente percebida em uma das frases da denúncia feita pela consumidora no Facebook: "Fiquei extremamente indignada e me senti mais do que lesada por se tratar de marcas com valores bem diferentes".
Embora esteja de total acordo com a indignação da consumidora, me pergunto o real motivo da denúncia. Trata-se, de fato, da lesão financeira sofrida ou todo esse tumulto é devido a não aquisição da etiqueta real? Como consumidora e consumista, respondo a minha própria pergunta com uma simples, porém inteligentíssima citação do filme Delírios de Consumo de Becky Bloom: "Custo e valor são duas coisas muito diferentes".
Beijo, beijo, Laís.

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