18/06/2015

UM PAPO SOBRE MODA CONSCIENTE COM ANA SOARES DO BLOG HOJE VOU ASSIM OFF

Se tem uma coisa que eu adoro nessa internet é a possibilidade que ela nos dá de contado com pessoas (celebridades e web celebridades) que acompanhamos e admiramos.

Nós do blog Acid Fashion somos grandes fãs da design e consultora de estilo Ana Soares, e para fazer uso desse benefício que a internet nos proporciona, resolvemos ir atrás dela para um entrevista. Por quê? Simplesmente porque ela é dona de um dos blogs mais legais que existem nessa blogosfera, o Hoje Vou Assim Off! Com posts bem humorados e ótimos cliques dos seus look estilosos, lá ela dá dicas ótimas de compras “off” e ensina como se vestir bem gastando pouco. Além disso, Ana, assim como nós, também levanta a bandeira da sustentabilidade na moda e da compra consciente.

Infelizmente não tivemos a oportunidade de encontra-la pessoalmente, mas mesmo por e-mail conseguimos ótimas respostas e a entrevista ficou bem legal. Confiram.




AF - Como e quando você começou a se interessar por consumo consciente? Esse hábito é consequência do seu trabalho ou você já era atenta às etiquetas antes de começar a trabalhar com moda?

Ana - Só depois do meu trabalho com o blog que eu comecei a pensar mais no assunto, a me deparar com textos falando das cadeias de produções, do tipo de mão de obra empregada, nos péssimos salários, dejetos químicos nos rios e até exploração infantil na colheita do algodão. Ou seja, a problemática começa na própria matéria-prima! Eu ainda acho que nós (e me incluo aí) ainda temos que trilhar um longo caminho para a conscientização, pois temos ainda a mentalidade do me dei bem. Se a roupa está cara numa loja e eu não posso pagar, encomendo uma por 2 dólares nos sites chineses e pronto. Claro que ninguém é conivente com o que acontece, mas fechamos muito os olhos para benefício próprio, consumismo e vaidade. Em São Paulo tive o prazer de conhecer a estilista Flavia Aranha que é o meu maior exemplo para isso. Ela trabalhava na indústria, mas depois de presenciar tanta coisa contra seus princípios, criou sua própria marca e ela é a nossa maior pesquisadora do uso de tecidos naturais e suas origens, reaproveitamento de materiais - ela aproveita o descarte do casulo quebrado do bicho da seda, por exemplo - empodera famílias de costureiras de Pirinópolis, as novas gerações que não queriam seguir a carreira da mãe que é costureira e fez vários casacos na roca (!!!) para a Flavia, saiu na revista e agora a família se uniu para focar nessa demanda porque viu que deu retorno. Imagina isso, mudar pra melhor, dar perspectiva num mundo em que só vislumbramos a tecnologia e voltar à confecção para o tear! 


AF- O blog começou de forma despretensiosa e só por diversão ou desde o início o objetivo já era incentivar as pessoas a prática do consumo consciente?

Ana - O blog nem foi criado por mim! Em 2008 eu trabalhava como diretora de arte e quase não existia blog de moda, eram pouquíssimos. Foi uma designer da minha esquipe quem criou num dia de ócio, achei a ideia divertida e fizemos alguns cliques, era tudo muito tosco! Aí começou como um blog de moda baratinha, de mais por menos, de quem não tinha dinheiro pra pagar numa roupa mais cara. À medida que fui amadurecendo, percebia que eu precisava de roupas mais bem compostas, que tivessem melhor caimento e mais personalidade. Quando somos novas conseguimos usar tudo, mais velhas a coisa muda de figura... ninguém te diz isso, você sente essa necessidade de melhorar. Aí fui estudando e vendo na prática sobre custo x benefício, sobre comprar peças melhores e pagar mais por algo de qualidade do que 10 ribanas de 6 reais que nunca me deixavam arrumada. O blog acompanhou esse reposicionamento de que não é questão de ter ficado rica e abandonar o OFF, mas de assumir novas posturas de consumo.


AF - Você acredita que com o passar do tempo mais pessoas têm aderido ao hábito de conferir as etiquetas na hora das compras?

Ana - Eu acho que sim. Tudo tem ficado absurdamente caro e a qualidade caiu drasticamente. Quando aprendi que a peça que parecia seda, era na verdade um sintético, o poliéster, mas custava o preço de tecido natural, eu me liguei que tava comprando gato por lebre, e passei a mostrar isso no blog. Ou de comprar um vestido e só depois ver que a lavagem era a seco - ou seja, gastos com lavanderia. Ter consciência do que você está comprando e tomar pra si o poder de decisão, saber realmente se vale o investimento e se cabe na sua vida, é muito empoderador.


AF - Como você vê o mercado da moda daqui a 10 anos visto que, cada vez mais marcas têm se posicionado e levantado a bandeira da sustentabilidade e do "não" ao trabalho escravo? 

Ana - Eu acho que teremos consumidores muito exigentes, cientes de tudo que acontece e cobrando mais das marcas. Li um artigo que as fast fashions vão acabar e eu acredito nesse declínio: ninguém mais está aguentando a velocidade das produções, está ficando confuso acompanhar tantas tendências, oneroso, gasta-se muito tempo e dinheiro em shoppings e as roupas não duram nada! Cada vez mais se tem a ciência do tipo de mão de obra empregada para atingir altos lucros e o consumidor não compactua com isso, ele não quer se sentir parte desse sistema - apesar de ainda ficar perdido com os caminhos alternativos para um melhor consumo. Cada vez mais marcas têm ido ao caminho contrário, criando coleções menores, com preocupação real com o impacto ambiental e o show fashion tem empregado uma forma de consumo inovadora, fresh, atual, contra a repetição imposta pela indústria hoje. As pessoas vão querer novidades que exijam menos do planeta, das pessoas e das suas economias.


AF - Você acredita que essa conscientização na moda veio para ficar ou é algo passageiro, uma estratégia de marketing? 

Ana - Eu acredito que ela é necessária e tem gente fazendo o trabalho de formiguinha para despertar as pessoas para o problema. Quando se falou em crise hídrica, ninguém sabia que para se fabricar uma única calça jeans são necessários inacreditáveis 11 mil litros de água e agora as pessoas já estão mais ligadas nisso, só não sabem ainda para quais caminhos alternativos elas devem seguir, pois isso não é divulgado, por motivos óbvios.




AF - Quais são os desafios de “nadar contra a maré” num mercado totalmente dominado pelas marcas? 
Ana - Claro que a consequência de uma produção tão exclusiva é ser mais cara, mas aí que está: gastamos atualmente o valor de um casaco desses em um mês, comprando dezenas de peças de origem desconhecida, com materiais desconhecidos, mão de obra desconhecida, financiamos a riqueza dos empresários dessas indústrias e abarrotamos nossos armários com roupas que provavelmente nunca iremos usar. Não seria melhor ter poucas e boas roupas, com história, com riqueza de trabalho, valoração da nossa cultura e versatilizar o que temos para não contribuir com o descarte indiscriminado nos solos? Uma roupa de material sintético também leva centenas de anos para se decompor, assim como as sacolas plásticas. Voltando à pergunta, rs, é MUITO difícil. Eu percebo a histeria que se torna ao divulgar uma peça de coleção assinada de fast fashion em contrapartida aos posts em que falo sobre consumo consciente, organização de armário e novas marcas. As pessoas ainda querem se inserir num contexto, seguir o fluxo, ninguém quer ter o trabalho de pesquisar, analisar qualidade - isso se perdeu ao longo dos anos! Querem o que está pronto, assim como na alimentação, por exemplo. E as marcas também vêm como uma avalanche em cima de quem não compactua com eles e é preciso estar muito convicto de seus valores para passar por isso, mas é um trabalho que ainda vai render frutos. Eu prefiro dar dinheiro pro dono espanhol bilionário da Zara que escraviza pessoas ou para a moça que mora no meu bairro, paga seus impostos, abre seu ateliê, conta do processo de criação e batalha todo dia para manter a marca? Quero fazer a roda da economia girar pra quem tá do meu lado ou para financiar grandes grupos a ficarem mais ricos?


AF - Hoje você se vê como influenciadora? Acha que as pessoas que ainda não conhecem seu trabalho chegam ao blog em busca de inspirações acessíveis de looks e acabam se conscientizando?

Ana - Com certeza! Eu mesma mudei minha visão e as pessoas acompanharam essa mudança. Antes me cobravam, reclamavam que eu não era mais "off", mas, veja você, eu até ganho menos hoje em dia por conta da inflação, ou seja, não tenho mais dinheiro como eu tinha na época que criei o blog, mas compro roupas de excelente qualidade e de forma mais consciente. E não é só pensar na origem do que compramos, mas de refletir sobre a necessidade de comprar só porque está barato ou de economizar para comprar o que realmente precisa e vai fazer a diferença no guarda-roupa, pensar combinações, se aquilo é algo que você gostou muito ou só comprou por hábito. Aí quando jogo essas questões no blog, as leitoras percebem que é um processo e que elas também podem aderir. Isso é incrível! Ainda falo das coleções das grandes redes porque é uma forma de orientar o consumidor sobre suas escolhas e recebo muitos e muitos depoimentos de quem antes comprava o mundo nesses lançamentos e atualmente não consegue nem mais passar na frente da loja. Elas perceberam que isso é libertador e também é ser off!


AF- Já sofreu algum tipo de preconceito por levantar a bandeira do “off” numa realidade onde grande parte da internet adota o luxo e a ostentação? 

Ana - Sempre. Mas sempre mesmo. Já fui ignorada, já riram de mim. Claro que acham que tiram onda fechando publicidades com grandes grupos e eu não, por conta do meu escopo, mas, sinceramente? Poucas conquistaram o respeito, engajamento e a admiração que eu tenho com muita honra do meu público. E isso é muito mais poderoso, eu não quero riqueza, quero ajudar outras pessoas a terem uma visão melhor do consumo e das suas vidas. Eu sei o que é se sentir sozinha num pensamento e de repente ouvir um eco, perceber que outras pessoas pensam como eu. Eu li que o mundo não precisa mais de pessoas bem sucedidas, mas de pacificadores e é bem assim que penso. 



AF - No que o consumidor deve se atentar na hora da compra?

Ana - Primeiro, pesquisar sobre a marca - existe um app ótimo chamado Moda Livre, que mostra o grau de envolvimento das marcas com atividades escusas e trabalho escravo e o que elas estão fazendo para melhorar. Ou seja, em segundos você já pesquisou sobre. Já na loja atentar para a etiqueta. Se você vive numa cidade quente, não faz sentido comprar um vestido de poliéster, que esquenta, mas um de algodão que é uma fibra que permite o respiro da pele. Depois a forma de lavagem e o país de origem da produção - no Vietnã, por exemplo, é um dos que mais escravizam pessoas. Aí deve-se virar a peça quase que do avesso ou do avesso completamente e perceber costura, acabamento, como foi feita a barra. Parece bobeira, mas acabei de receber o relato de uma leitora que comprou um vestido de uma marca conhecida e depois viu que a bainha estava colada com fita. 
Um bom acabamento é aquele que permite até que você use a roupa do avesso! Observe depois se as pernas estão alinhadas, se os ombros estão no lugar, se no corpo não ficou torto. Aliás, deve-se experimentar SEMPRE, por isso o ideal não é fazer as compras com pressa.


AF - Pra você, compra inteligente é...?

Ana - É aquela que beneficia a todos da cadeia. É a que conta uma história quando visto, que diz ao mundo quem eu sou essencialmente, que conversa com minhas outras roupas quando preciso pensar em produções e que rende infinitas ideias.


Espero que tenham gostado da nossa conversa com a Ana. 

Bjbj, 

Laís! 

BRECHÓ BEACH - A MAIOR FEIRA DE BRECHÓS DO RIO



A maior feira de Brechó do Rio de Janeiro está de volta e agora com duas edições por mês! A 6º edição do Rio Brechó Beach ocorrerá dia 28 de junho, às 12h, no bairro do Recreio dos Bandeirantes.  

Serão expostas peças nacionais e internacionais com ótima qualidade e com preços que variam de R$5,00 até R$50,00 (preço máximo) e mais de 200 peças com preço imperdível de R$10,00.   E o melhor de tudo, algumas expositoras contarão com uma máquina de cartão de crédito para facilitar as vendas!


Além das roupas com preços super acessíveis, haverá uma área de diversão com slackline, e uma área de alimentação, com cantina. 

Gostou da ideia? Possui roupas em casa de boa qualidade que precisa desapegar? É só mandar um e-mail para as organizadoras ou entrar em contato pelo evento no facebook e ser uma expositora também!  


Espero que gostem da dica =)

Bjo bjo,

Carol

17/06/2015

DIVERSIDADE É O NOVO PADRÃO DE BELEZA DA MODA.




Fala-se muito sobre diversidade na moda e por muito tempo foi difícil encontrar catálogos de revistas famosas com modelos “fora do padrão”. Para nossa alegria e para o bem da sociedade, nos últimos anos temos visto não só novos rostos, mas também novos formatos de corpo, novos tons de pele, novas etnias e, principalmente, novas atitudes na moda.

Foi-se o tempo em que uma campanha badalada de alguma grife tinha como protagonista modelos altas, magras e loiras. A cada ano que passa a moda tem se permitido mais e com isso, tem, aos poucos, transformado o termo diversidade em igualdade. Prova disso é o aumento do número de modelos negras estampando capas de revistas mundialmente famosas como Vogue, Bazar e V Magazine.




Além da mudança nas “caras” de suas campanhas, vemos também marcas adotando tamanhos maiores em suas peças e apoiando protestos ligados à sustentabilidade e moda consciente. Movimentos como Revolution Fashion, Upcycling e o #TerçaSemMake ilustram perfeitamente bem essa nova (e esperamos que permanente) fase da moda. 




Bjbj, 

Laís!

TROCA-TROCA

Com intuito de diminuir o impacto que as embalagens de produtos causam ao meio ambiente, a marca de cosméticos M.A.C está com um programa "Back to M.A.C", que presenteia os clientes que devolvem embalagens vazias de seus produtos.

Para ganhar um batom ou uma sombra da marca, basta devolver seis embalagens vazias. Por que não colaborar com o meio ambiente e ainda ganhar presentes especiais? Além de economizar, o cliente dá sua contribuição sustentável.






Além dessa, a linha Ekos da Natura também criou uma forma de atingir menos a natureza. Como forma de evitar o desperdício de embalagens, a marca criou uma forma de reutilizá-las, através da reposição dos produtos vendidos com o refil. A linha possui refis de sabonete, cremes e até colônias, embalados em plástico feito a partir da cana-de-açúcar. 



Beijos, 

Carol!

11/06/2015

MUITO MAIS QUE UM EVENTO, UM IDEAL!



Esse final de semana vai rolar aqui no Rio o Fashion Inclusive Brazil. Pra quem não conhece, o evento é um projeto criado para fomentar ideais de moda, artes, cultura e gastronomia com inclusão social e escolhas sustentáveis. O foco é a moda como aliada para o desenvolvimento de um mundo melhor, torná-la mais inclusiva e ampliar nossos horizontes para o mundo. 

Serão dois dias inteiros de evento (13/06 – 14/06), com desfiles e palestras durante o dia e shows com DJs à noite. O ingresso custa R$20,00 + 1 kg de alimento não perecível e parte da renda será revertida a uma instituição filantrópica. 

O evento será no Centro Cultural Ação e Cidadania e começa às 12 horas.



Pra quem quiser saber mais informações, é só dar uma olhada no site do evento: www.fashioninclusivebrazil.com.br



Bjbj,

Laís!





10/06/2015

INSECTA E FOLK - UM COMBO DE AMOR



Conectada com a ideia de reaproveitamento, a marca carioca Folk Boots aposta em calçados unissex, que unem características como conforto e estilo, além da sustentabilidade, assunto que ganhou grande importância nos últimos tempos.

Os sapatos são lindos e super estilosos, além de terem uma produção artesanal a partir de sobras de materiais de estofados, o que a torna diferenciada da maioria das marcas de calçados.



As peças têm estampas exclusivas e únicas, ótimo para quem quer desfilar sem correr o risco de esbarrar com alguém com o mesmo calçado . O preço é bastante acessível, por ser um trabalho inteiramente artesanal e de estampas exclusivas,  na média de R$ 150,00 a R$ 180,00. 


Outra marca que conheci recentemente, e que tem a mesma "pegada" ecológica e de reaproveitamento é a Insecta Shoes, de Porto Alegre. Através do garimpo de peças usadas e também da linha artesanal, são produzidos botas e oxfords veganos, com modelos únicos e também exclusivos. 




Os preços, um pouco mais caros, variam de R$ 179 a R$ 259, e possuem numeração do 33 até o 45, o que o torna acessível a grande parte da clientela.




Sustentabilidade + Artesanato + Conforto + Estilo = <3 Vale a pena dar uma checada nessas dicas!


Espero que tenham gostado das indicações!!!!


Beijo, beijo
Carol

09/06/2015

PEQUENA MUDANÇA, GRANDE DIFERENÇA!






Nem Vogue, nem Marie Claire, nem Elle. Embora essas imagens pudessem facilmente estampar as páginas de qualquer revista de moda, o ensaio fotográfico faz parte da campanha “Pequena mudança, grande diferença”, da ONG Samburu, que fornece água potável para as tribos de Samburu, no Quênia.

O projeto foi criado com a intensão de alertar pessoas que todos os dias gastam milhões de euros com artigos de luxo enquanto, em algum lugar do mundo, há pessoas que sofrem com a miséria. 



Ao ver as imagens o choque é inevitável. O encontro de duas realidades tão diferentes tem como objetivo mostrar aos consumidores que o dinheiro gasto com itens supérfluos pode ter um impacto imensurável em sociedades de áreas de desastres.



Os criadores esperam que a campanha inspire doadores e faça com que os consumidores reavaliem o valor do dinheiro que gastam, afinal, os 32 € de uma bolsa que talvez você nem precise podem ser extremamente valiosos a alguém que você nem mesmo conhece. 
As fotos são da fotógrafa e publicitária Calle Stoltz, em parceria com o grupo criativo, Saatchi & Saatchi.



Bjbj, Laís ;D